Muitos foram os temas que gravitaram em torno do painel que debateu a trajetória de 105 anos do Centro da Indústria, Comércio e Serviços de Bento Gonçalves (CIC-BG), na manhã de segunda-feira (29), perante um público superior as 220 pessoas. E, como era de se esperar, muitos assuntos que não são de exclusividade do foro administrativo da casa, mas que fazem parte de seu dia a dia, vieram à tona no Painel 105 anos – Conquistas e Desafios.

Sucessão, gestão, entidades, feiras, formação de líderes, política, entre outros temas, foram costuradas pelo mediador do bate-papo, o jornalista Gerson Lenhard. Veja o que foi dito pelos painelistas, o atual presidente da casa, Elton Paulo Gialdi, e três ex-comandantes da entidade, Eurico Benedetti, Sérgio Dalla Costa e Jordano Zanesco, dirigentes, respectivamente, em 1998/1999, 2004/2005 e 2012/2013.

Feiras e entidades
Consenso entre os debatedores, a relevância das feiras – não apenas para a economia de Bento Gonçalves, mas também para os setores produtivos e para a formação de líderes – acabou sendo assunto para falar sobre as entidades. “Nós temos dificuldade de ter mais pessoas participando, então fica o convite para que participem das entidades”, disse Zanesco. “Costumo dizer que entre 20% e 25% de quem está nas entidades se comprometem com os projetos. Não precisa pedir para participar, tem que se colocar à disposição”, disse Dalla Costa.

Sucessão
Jordano Zanesco foi convidado para assumir o CIC num jantar cuja pauta não havia sido revelada. Aconselhou-se com o pai, o ex-presidente do CIC Lênio Zanesco e com a mulher. Também ouviu Leonardo Giordani, que assumiria a casa em seu lugar. “Nós vínhamos de uma experiência da ExpoBento, e tivemos o desafio de colocar a gestão da feira na entidade”. Dalla Costa também lembra de ter recorrido à família na hora de dar a resposta. “Minha mulher disse, tu só vais ter uma oportunidade, ou agora ou nunca mais”, lembrou. Também disse que sempre há a preocupação de falar com propriedade para a classe produtiva. “Não adianta ter conhecimento técnico se não conseguirmos transferir tudo que o setor espera da gente”, disse.

Política
Uma das marcas da gestão de Elton Paulo Gialdi frente ao CIC é o estímulo para o envolvimento da classe empresarial com as questões políticas. “Todos nós dependemos da política, independentemente de se gostar dela ou não. Se estamos envolvidos, temos poder de influenciar as decisões”, disse.

Futuro do CIC
Na visão de Gialdi, o CIC tem o desafio de agregar cada vez mais o associado, para que participem ativamente da entidade. “Como vamos fazer para que jovens de 25, 30 anos venham ao CIC? Esse é um grande desafio, ter esses jovens para participarem, despertarem suas lideranças pessoais”, comentou.

Juventude
O CIC-BG já vem há algum tempo se cercando de jovens lideranças na última década, com Tecchio inaugurando essa leva de novos gestores – ele assumiu com 30 anos a direção da casa. “É a união de ideias que faz as coisas prosseguirem”, lembrou Zanesco, sobre a mescla de lideranças jovens e maduras. Benedetti lembrou que a decisão de permitir que empresas de fora de Bento expusessem na Mostra do Mobiliário (atual Movelsul) foi de jovens empresários. “Nós abraçamos a ideia e permitimos. Claro que teve quem não gostou, mas esse conflito de ideias é salutar para crescermos”, disse Benedetti, lembrando de episódio de quando estava no Sindmóveis.

Representação estadual
A descoberta de lideranças e a retenção delas é um desafio não apenas para o CIC-BG, mas para todas entidades de Bento. Além disso, há um outro obstáculo a ser vencido: inseri-las numa representatividade maior do que a regional. Bento já teve um presidente da Fiergs, Renan Proença, e um diretor do Senai, José Zortéa. “Talvez estejamos falhando em algum aspecto, precisamos nos dispor e estar mais presente em Porto Alegre, estar na Federasul, na Fiergs, porque tem um peso diferente”, comentou Gialdi.

 

Jordano Zanesco, Elton Paulo Gialdi, Sérgio Dalla Costa e Eurico Benedetti